Consultoria de marketing10 min de leituraAtualizado em 13 de outubro de 2026

Diagnóstico de marketing passo a passo.

Um diagnóstico de marketing é o levantamento que mostra de onde vêm os clientes, onde a empresa perde vendas e o que atacar primeiro. Ele se faz em seis passos: números do negócio, origem dos clientes, funil, canais, site e concorrência. O resultado cabe em uma página de prioridades.

Fabrício MartinsFabrício Martins
Fundador da Martin Marketing & Design

Em resumo

  • O que é: uma investigação dos números de marketing e vendas, antes de qualquer investimento novo.
  • O que responde: de onde vêm os clientes, quanto custa cada um e onde está o maior desperdício.
  • Quanto leva: de duas a três semanas, com os dados em mãos.
  • O que entrega: três ou quatro prioridades em ordem, cada uma com meta e forma de medir.

O que é um diagnóstico de marketing

Diagnóstico é o exame antes do remédio. Em marketing, é o trabalho de olhar para os números reais da empresa antes de decidir onde investir.

A maioria das empresas pula essa etapa. Contrata anúncio porque o concorrente anuncia, refaz o site porque está feio, abre perfil em uma rede nova porque todo mundo está lá. Às vezes dá certo. Na maior parte das vezes, o dinheiro vai para um problema que não era o principal.

Um bom diagnóstico responde a três perguntas, nesta ordem:

  1. De onde vêm os clientes que a empresa já tem?
  2. Em que ponto do caminho a maior parte das pessoas desiste?
  3. O que mudaria mais o resultado com o menor esforço?

Quando fazer

  • Antes de aumentar a verba. Mais dinheiro em um funil furado só aumenta o desperdício.
  • Quando as vendas param de crescer. E ninguém sabe explicar por quê.
  • Antes de trocar de fornecedor. Para saber se o problema é a execução ou a direção.
  • Ao lançar um serviço ou entrar em outra cidade. O que funcionava pode não funcionar no cenário novo.
  • Uma vez por ano, por rotina. O mercado muda, os canais mudam e os custos sobem.

Se a sua dúvida é sobre quem contratar depois do diagnóstico, leia consultoria x agência: quando contratar cada uma.

O que reunir antes de começar

O diagnóstico anda na velocidade dos dados. Com isto em mãos, o trabalho rende:

  • Lista de clientes novos dos últimos doze meses, com data e valor.
  • Acesso de leitura ao analytics do site e ao Search Console.
  • Acesso às contas de anúncio, se houver.
  • Planilha ou sistema onde os contatos são registrados.
  • Quanto foi investido em marketing por mês, somando mídia, ferramentas e fornecedores.
  • Meta de vendas do ano.

Não ter tudo é normal, e a própria falta já é um achado. Empresa que não sabe de onde vieram os últimos dez clientes tem como primeira prioridade começar a registrar.

Passo 1: os números do negócio

Antes de olhar para o marketing, olhe para o caixa. Quatro números dão a base de todas as decisões seguintes:

NúmeroComo calcularPara que serve
Clientes novos por mêsMédia dos últimos doze mesesMostra o ritmo atual e a sazonalidade
Ticket médioReceita dividida pelo número de vendasDiz quanto vale cada venda
MargemO que sobra de cada venda depois dos custos diretosDefine quanto dá para investir por cliente
Custo por clienteInvestimento em marketing e vendas dividido pelos clientes novosMostra se o crescimento se paga

Com eles, uma pergunta já tem resposta: quanto a empresa pode gastar para conquistar um cliente sem perder dinheiro? Esse teto vai orientar todo o resto. Para se aprofundar nessa conta, veja CAC, LTV e payback.

Passo 2: de onde vêm os clientes

É o passo mais revelador e o mais simples. Pegue os últimos trinta ou cinquenta clientes e marque, ao lado de cada um, como ele chegou: busca no Google, indicação, Instagram, anúncio, evento, cliente antigo.

Quando não houver registro, pergunte. Uma mensagem curta para os clientes recentes resolve: como você conheceu a gente?

O resultado quase sempre surpreende. É comum a empresa investir a maior parte da verba em um canal e descobrir que a maioria dos clientes vem de outro. Sem esse levantamento, o painel de cada plataforma conta a própria versão, e todas dizem que venderam.

Comece a registrar hoje. Um campo "como nos conheceu" no formulário e na ficha do cliente custa pouco e muda a qualidade de todas as decisões futuras.

Passo 3: o funil, degrau por degrau

Agora o caminho inteiro, do primeiro contato com a marca até a venda. Levante quantas pessoas passam por cada etapa em um mês típico. Um exemplo hipotético de empresa de serviços:

EtapaPessoasPassam para a próxima
Visitas ao site4.0001,5%
Contatos6050%
Propostas enviadas3020%
Vendas6

Olhando a tabela, onde está o problema? A reação comum seria pedir mais visitas. Mas o degrau mais fraco é o primeiro: de cada cem visitantes, menos de dois entram em contato. Levar essa taxa a 3% dobraria as vendas sem um visitante a mais.

O segundo ponto de atenção é a proposta: quatro em cada cinco não fecham. Vale investigar preço, prazo de resposta e a forma de apresentar. Muitas vezes o gargalo do marketing está, na verdade, no comercial.

Passo 4: o que cada canal entrega

Com a origem dos clientes e o funil em mãos, monte uma tabela por canal. A coluna que importa é a última:

CanalInvestimento no mêsContatosVendasCusto por venda
Busca orgânicaR$ 0223R$ 0
Anúncios de pesquisaR$ 2.400182R$ 1.200
Redes sociaisR$ 3.000140sem venda
IndicaçãoR$ 061R$ 0

Os números são de exemplo, mas o desenho é típico. O canal que mais recebe dinheiro não é o que mais vende, e o que mais vende não recebe investimento nenhum. A decisão que sai daqui não é cortar as redes sociais de imediato, e sim perguntar o que elas deveriam entregar e se há como medir.

Um cuidado: canal com custo zero não é canal sem custo. A busca orgânica depende de um site bem construído e de conteúdo. A indicação depende de entregar bem. O diagnóstico registra isso para que ninguém corte o que sustenta o resultado.

Passo 5: o site e os materiais

O site é onde a maior parte dos canais desemboca. Se ele não converte, todos os canais parecem ruins. Avalie como um visitante faria:

  • Em cinco segundos, dá para entender o que a empresa faz e para quem?
  • Existe um caminho claro para entrar em contato em todas as páginas?
  • O site funciona bem no celular?
  • Há prova: depoimentos, cases, números, clientes atendidos?
  • Cada serviço tem a própria página, com as dúvidas respondidas?
  • Os contatos são medidos, com a origem de cada um?

Olhe também o que acontece depois do contato: quanto tempo a empresa leva para responder, o que a proposta diz e se alguém acompanha quem não respondeu.

Passo 6: a concorrência

Escolha três concorrentes diretos e faça o caminho do cliente em cada um. Pesquise o serviço no Google, entre no site, peça um orçamento.

  • Para quais buscas eles aparecem e você não?
  • O que eles prometem na primeira frase do site?
  • Quantas avaliações têm e qual é a nota?
  • Eles anunciam? Com qual mensagem?
  • Como é o atendimento de quem pede orçamento?

O objetivo não é copiar. É achar o espaço vazio: a promessa que ninguém faz, a dúvida que ninguém responde, a busca em que ninguém aparece bem.

Do diagnóstico ao plano: como priorizar

Seis passos geram uma lista longa de problemas. O valor do diagnóstico está em escolher poucos. Para cada achado, dê duas notas: quanto ele muda o resultado e quanto custa resolver.

Faça primeiro

  • Impacto alto e esforço baixo.
  • Exemplo: registrar a origem dos contatos.
  • Exemplo: encurtar o formulário do site.
  • Exemplo: pausar a campanha sem venda.

Deixe para depois

  • Impacto baixo, por mais fácil que seja.
  • Impacto incerto e esforço alto.
  • Tudo o que não dá para medir ainda.

O plano final tem três ou quatro prioridades. Cada uma com um responsável, um prazo, um número de partida e um número de chegada. Mais do que isso vira lista de desejos.

Modelo de relatório em uma página

  1. Onde estamos. Clientes novos por mês, custo por cliente e os dois canais que mais vendem.
  2. Onde perdemos. O degrau mais fraco do funil, com o número.
  3. O que fazer. As prioridades, em ordem.
  4. O que não fazer agora. As ideias que ficam fora e o motivo.
  5. Como vamos medir. A meta de cada prioridade e a data da próxima leitura.

O quarto item é o que diferencia um diagnóstico de uma lista de sugestões. Dizer o que fica de fora protege o orçamento e o foco do time.

Um exemplo do começo ao fim

Juntando os passos em um caso hipotético: uma empresa de serviços para outras empresas, com seis vendas por mês e a sensação de que o marketing não funciona.

O que o levantamento mostrou. Metade dos clientes do último ano veio de busca no Google e de indicação. As redes sociais, que recebiam a maior verba, não tinham uma venda registrada. No site, menos de dois em cada cem visitantes pediam contato. E as propostas levavam, em média, quatro dias para sair.

As prioridades escolhidas. Primeira: registrar a origem de todo contato, a partir de agora. Segunda: refazer a página de serviço principal, com prova e um formulário curto. Terceira: definir um prazo para o envio da proposta. Quarta: mover parte da verba das redes para anúncios de pesquisa, por três meses, como teste.

O que ficou de fora. Abrir um canal novo, refazer a identidade visual e trocar de ferramenta de e-mail. Boas ideias, que não atacavam os dois maiores gargalos.

Como medir. Contatos por cem visitantes no site, prazo médio da proposta e custo por venda em cada canal, lidos todo mês.

Nenhuma das quatro prioridades exigia aumentar o orçamento. Esse é o desfecho mais comum de um bom diagnóstico: antes de investir mais, parar de perder o que já chega.

Erros comuns

  • Começar pela solução. Quem já decidiu que precisa de anúncio vai achar motivos para anunciar.
  • Confiar só no painel das plataformas. Cada uma atribui as vendas a si mesma.
  • Olhar um mês só. Um mês atípico leva a conclusões erradas. Use pelo menos seis.
  • Ignorar o comercial. Marketing que gera contato e não gera venda pode ter o problema no atendimento.
  • Entregar um relatório longo. Cem páginas que ninguém lê não mudam nada.

Perguntas frequentes

Com os dados e os acessos disponíveis, de duas a três semanas. O prazo cresce quando é preciso reconstruir informações que nunca foram registradas, como a origem dos clientes.

Dá para fazer uma boa primeira versão seguindo os seis passos. A dificuldade está em ler os próprios números com distância. Quem está dentro da operação tende a defender as escolhas que já fez, e é aí que um olhar de fora ajuda.

Uma revisão completa por ano costuma bastar. Entre uma e outra, vale uma leitura rápida dos números a cada trimestre, para confirmar se as prioridades ainda fazem sentido.

Não. O analytics do site, o Search Console, os painéis das plataformas de anúncio e uma planilha resolvem a maior parte. Ferramenta paga ajuda a ganhar tempo, mas não substitui o registro de onde veio cada cliente.

Serve, e muitas vezes é onde mais ajuda. Sem anúncio, os clientes vêm de busca, indicação e relacionamento. Saber qual desses caminhos mais traz venda mostra onde vale colocar o primeiro investimento.

Conclusão

O diagnóstico de marketing troca o palpite por uma lista curta de prioridades. Ele não exige ferramentas caras. Exige abrir os números, seguir o caminho do cliente e ter coragem de dizer o que fica de fora.

Se preferir fazer isso com quem roda esse processo todo mês, conheça a consultoria de marketing da Martin. O primeiro diagnóstico é sem custo.

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