Diagnóstico de marketing passo a passo.
Um diagnóstico de marketing é o levantamento que mostra de onde vêm os clientes, onde a empresa perde vendas e o que atacar primeiro. Ele se faz em seis passos: números do negócio, origem dos clientes, funil, canais, site e concorrência. O resultado cabe em uma página de prioridades.
Fundador da Martin Marketing & Design
Em resumo
- O que é: uma investigação dos números de marketing e vendas, antes de qualquer investimento novo.
- O que responde: de onde vêm os clientes, quanto custa cada um e onde está o maior desperdício.
- Quanto leva: de duas a três semanas, com os dados em mãos.
- O que entrega: três ou quatro prioridades em ordem, cada uma com meta e forma de medir.
O que é um diagnóstico de marketing
Diagnóstico é o exame antes do remédio. Em marketing, é o trabalho de olhar para os números reais da empresa antes de decidir onde investir.
A maioria das empresas pula essa etapa. Contrata anúncio porque o concorrente anuncia, refaz o site porque está feio, abre perfil em uma rede nova porque todo mundo está lá. Às vezes dá certo. Na maior parte das vezes, o dinheiro vai para um problema que não era o principal.
Um bom diagnóstico responde a três perguntas, nesta ordem:
- De onde vêm os clientes que a empresa já tem?
- Em que ponto do caminho a maior parte das pessoas desiste?
- O que mudaria mais o resultado com o menor esforço?
Quando fazer
- Antes de aumentar a verba. Mais dinheiro em um funil furado só aumenta o desperdício.
- Quando as vendas param de crescer. E ninguém sabe explicar por quê.
- Antes de trocar de fornecedor. Para saber se o problema é a execução ou a direção.
- Ao lançar um serviço ou entrar em outra cidade. O que funcionava pode não funcionar no cenário novo.
- Uma vez por ano, por rotina. O mercado muda, os canais mudam e os custos sobem.
Se a sua dúvida é sobre quem contratar depois do diagnóstico, leia consultoria x agência: quando contratar cada uma.
O que reunir antes de começar
O diagnóstico anda na velocidade dos dados. Com isto em mãos, o trabalho rende:
- Lista de clientes novos dos últimos doze meses, com data e valor.
- Acesso de leitura ao analytics do site e ao Search Console.
- Acesso às contas de anúncio, se houver.
- Planilha ou sistema onde os contatos são registrados.
- Quanto foi investido em marketing por mês, somando mídia, ferramentas e fornecedores.
- Meta de vendas do ano.
Não ter tudo é normal, e a própria falta já é um achado. Empresa que não sabe de onde vieram os últimos dez clientes tem como primeira prioridade começar a registrar.
Passo 1: os números do negócio
Antes de olhar para o marketing, olhe para o caixa. Quatro números dão a base de todas as decisões seguintes:
| Número | Como calcular | Para que serve |
|---|---|---|
| Clientes novos por mês | Média dos últimos doze meses | Mostra o ritmo atual e a sazonalidade |
| Ticket médio | Receita dividida pelo número de vendas | Diz quanto vale cada venda |
| Margem | O que sobra de cada venda depois dos custos diretos | Define quanto dá para investir por cliente |
| Custo por cliente | Investimento em marketing e vendas dividido pelos clientes novos | Mostra se o crescimento se paga |
Com eles, uma pergunta já tem resposta: quanto a empresa pode gastar para conquistar um cliente sem perder dinheiro? Esse teto vai orientar todo o resto. Para se aprofundar nessa conta, veja CAC, LTV e payback.
Passo 2: de onde vêm os clientes
É o passo mais revelador e o mais simples. Pegue os últimos trinta ou cinquenta clientes e marque, ao lado de cada um, como ele chegou: busca no Google, indicação, Instagram, anúncio, evento, cliente antigo.
Quando não houver registro, pergunte. Uma mensagem curta para os clientes recentes resolve: como você conheceu a gente?
O resultado quase sempre surpreende. É comum a empresa investir a maior parte da verba em um canal e descobrir que a maioria dos clientes vem de outro. Sem esse levantamento, o painel de cada plataforma conta a própria versão, e todas dizem que venderam.
Comece a registrar hoje. Um campo "como nos conheceu" no formulário e na ficha do cliente custa pouco e muda a qualidade de todas as decisões futuras.
Passo 3: o funil, degrau por degrau
Agora o caminho inteiro, do primeiro contato com a marca até a venda. Levante quantas pessoas passam por cada etapa em um mês típico. Um exemplo hipotético de empresa de serviços:
| Etapa | Pessoas | Passam para a próxima |
|---|---|---|
| Visitas ao site | 4.000 | 1,5% |
| Contatos | 60 | 50% |
| Propostas enviadas | 30 | 20% |
| Vendas | 6 |
Olhando a tabela, onde está o problema? A reação comum seria pedir mais visitas. Mas o degrau mais fraco é o primeiro: de cada cem visitantes, menos de dois entram em contato. Levar essa taxa a 3% dobraria as vendas sem um visitante a mais.
O segundo ponto de atenção é a proposta: quatro em cada cinco não fecham. Vale investigar preço, prazo de resposta e a forma de apresentar. Muitas vezes o gargalo do marketing está, na verdade, no comercial.
Passo 4: o que cada canal entrega
Com a origem dos clientes e o funil em mãos, monte uma tabela por canal. A coluna que importa é a última:
| Canal | Investimento no mês | Contatos | Vendas | Custo por venda |
|---|---|---|---|---|
| Busca orgânica | R$ 0 | 22 | 3 | R$ 0 |
| Anúncios de pesquisa | R$ 2.400 | 18 | 2 | R$ 1.200 |
| Redes sociais | R$ 3.000 | 14 | 0 | sem venda |
| Indicação | R$ 0 | 6 | 1 | R$ 0 |
Os números são de exemplo, mas o desenho é típico. O canal que mais recebe dinheiro não é o que mais vende, e o que mais vende não recebe investimento nenhum. A decisão que sai daqui não é cortar as redes sociais de imediato, e sim perguntar o que elas deveriam entregar e se há como medir.
Um cuidado: canal com custo zero não é canal sem custo. A busca orgânica depende de um site bem construído e de conteúdo. A indicação depende de entregar bem. O diagnóstico registra isso para que ninguém corte o que sustenta o resultado.
Passo 5: o site e os materiais
O site é onde a maior parte dos canais desemboca. Se ele não converte, todos os canais parecem ruins. Avalie como um visitante faria:
- Em cinco segundos, dá para entender o que a empresa faz e para quem?
- Existe um caminho claro para entrar em contato em todas as páginas?
- O site funciona bem no celular?
- Há prova: depoimentos, cases, números, clientes atendidos?
- Cada serviço tem a própria página, com as dúvidas respondidas?
- Os contatos são medidos, com a origem de cada um?
Olhe também o que acontece depois do contato: quanto tempo a empresa leva para responder, o que a proposta diz e se alguém acompanha quem não respondeu.
Passo 6: a concorrência
Escolha três concorrentes diretos e faça o caminho do cliente em cada um. Pesquise o serviço no Google, entre no site, peça um orçamento.
- Para quais buscas eles aparecem e você não?
- O que eles prometem na primeira frase do site?
- Quantas avaliações têm e qual é a nota?
- Eles anunciam? Com qual mensagem?
- Como é o atendimento de quem pede orçamento?
O objetivo não é copiar. É achar o espaço vazio: a promessa que ninguém faz, a dúvida que ninguém responde, a busca em que ninguém aparece bem.
Do diagnóstico ao plano: como priorizar
Seis passos geram uma lista longa de problemas. O valor do diagnóstico está em escolher poucos. Para cada achado, dê duas notas: quanto ele muda o resultado e quanto custa resolver.
Faça primeiro
- Impacto alto e esforço baixo.
- Exemplo: registrar a origem dos contatos.
- Exemplo: encurtar o formulário do site.
- Exemplo: pausar a campanha sem venda.
Deixe para depois
- Impacto baixo, por mais fácil que seja.
- Impacto incerto e esforço alto.
- Tudo o que não dá para medir ainda.
O plano final tem três ou quatro prioridades. Cada uma com um responsável, um prazo, um número de partida e um número de chegada. Mais do que isso vira lista de desejos.
Modelo de relatório em uma página
- Onde estamos. Clientes novos por mês, custo por cliente e os dois canais que mais vendem.
- Onde perdemos. O degrau mais fraco do funil, com o número.
- O que fazer. As prioridades, em ordem.
- O que não fazer agora. As ideias que ficam fora e o motivo.
- Como vamos medir. A meta de cada prioridade e a data da próxima leitura.
O quarto item é o que diferencia um diagnóstico de uma lista de sugestões. Dizer o que fica de fora protege o orçamento e o foco do time.
Um exemplo do começo ao fim
Juntando os passos em um caso hipotético: uma empresa de serviços para outras empresas, com seis vendas por mês e a sensação de que o marketing não funciona.
O que o levantamento mostrou. Metade dos clientes do último ano veio de busca no Google e de indicação. As redes sociais, que recebiam a maior verba, não tinham uma venda registrada. No site, menos de dois em cada cem visitantes pediam contato. E as propostas levavam, em média, quatro dias para sair.
As prioridades escolhidas. Primeira: registrar a origem de todo contato, a partir de agora. Segunda: refazer a página de serviço principal, com prova e um formulário curto. Terceira: definir um prazo para o envio da proposta. Quarta: mover parte da verba das redes para anúncios de pesquisa, por três meses, como teste.
O que ficou de fora. Abrir um canal novo, refazer a identidade visual e trocar de ferramenta de e-mail. Boas ideias, que não atacavam os dois maiores gargalos.
Como medir. Contatos por cem visitantes no site, prazo médio da proposta e custo por venda em cada canal, lidos todo mês.
Nenhuma das quatro prioridades exigia aumentar o orçamento. Esse é o desfecho mais comum de um bom diagnóstico: antes de investir mais, parar de perder o que já chega.
Erros comuns
- Começar pela solução. Quem já decidiu que precisa de anúncio vai achar motivos para anunciar.
- Confiar só no painel das plataformas. Cada uma atribui as vendas a si mesma.
- Olhar um mês só. Um mês atípico leva a conclusões erradas. Use pelo menos seis.
- Ignorar o comercial. Marketing que gera contato e não gera venda pode ter o problema no atendimento.
- Entregar um relatório longo. Cem páginas que ninguém lê não mudam nada.
Perguntas frequentes
Com os dados e os acessos disponíveis, de duas a três semanas. O prazo cresce quando é preciso reconstruir informações que nunca foram registradas, como a origem dos clientes.
Dá para fazer uma boa primeira versão seguindo os seis passos. A dificuldade está em ler os próprios números com distância. Quem está dentro da operação tende a defender as escolhas que já fez, e é aí que um olhar de fora ajuda.
Uma revisão completa por ano costuma bastar. Entre uma e outra, vale uma leitura rápida dos números a cada trimestre, para confirmar se as prioridades ainda fazem sentido.
Não. O analytics do site, o Search Console, os painéis das plataformas de anúncio e uma planilha resolvem a maior parte. Ferramenta paga ajuda a ganhar tempo, mas não substitui o registro de onde veio cada cliente.
Serve, e muitas vezes é onde mais ajuda. Sem anúncio, os clientes vêm de busca, indicação e relacionamento. Saber qual desses caminhos mais traz venda mostra onde vale colocar o primeiro investimento.
Conclusão
O diagnóstico de marketing troca o palpite por uma lista curta de prioridades. Ele não exige ferramentas caras. Exige abrir os números, seguir o caminho do cliente e ter coragem de dizer o que fica de fora.
Se preferir fazer isso com quem roda esse processo todo mês, conheça a consultoria de marketing da Martin. O primeiro diagnóstico é sem custo.