Como fazer um plano de marketing em 7 passos.
Um plano de marketing é o documento que liga a meta de vendas às ações de cada mês. Para fazer o seu, siga sete passos: diagnóstico, meta, público, posicionamento, canais, orçamento e calendário com indicadores. Um bom plano cabe em poucas páginas e é revisado todo mês.
Fundador da Martin Marketing & Design
Em resumo
- O que é: o caminho entre a meta de vendas e as ações de marketing, com prazo e números.
- Quanto tempo cobre: normalmente um ano, com detalhe maior nos próximos 90 dias.
- O que não pode faltar: meta, público, canais, orçamento e indicadores.
- Como manter: uma reunião por mês para comparar o previsto com o realizado.
O que é um plano de marketing
É o documento que responde, por escrito, a quatro perguntas: aonde a empresa quer chegar, quem ela quer atender, como vai chegar até essas pessoas e quanto vai investir para isso.
Um plano de marketing não é uma lista de posts para as redes sociais, e também não precisa ser um documento de cinquenta páginas que ninguém abre. O melhor plano é o que a equipe consegue consultar em uma reunião e usar para decidir o que fazer na semana.
| Plano de marketing é | Plano de marketing não é |
|---|---|
| Meta com número e prazo | "Aumentar a presença digital" |
| Escolha de dois ou três canais principais | Estar em todas as redes ao mesmo tempo |
| Orçamento dividido por canal | Investir "o que sobrar" no fim do mês |
| Indicadores revisados todo mês | Um documento feito uma vez e esquecido |
Os sete passos a seguir montam o plano nessa ordem. Cada passo depende do anterior, então vale resistir à tentação de começar pelos canais.
Passo 1: comece pelo diagnóstico
Todo plano parte de uma fotografia do presente. Sem ela, a meta vira chute e a escolha de canais vira gosto pessoal. Levante pelo menos:
- Faturamento e número de clientes novos por mês, nos últimos doze meses.
- De onde vieram esses clientes: indicação, Google, redes sociais, anúncios, parcerias.
- Ticket médio e taxa de fechamento das propostas.
- Quanto foi investido em marketing, somando mídia, ferramentas e fornecedores.
- O que os principais concorrentes fazem e prometem.
Esse levantamento costuma revelar surpresas, como um canal que traz poucos contatos e muitas vendas, ou um investimento alto que não gera cliente nenhum. O passo a passo completo está em diagnóstico de marketing.
Passo 2: transforme a meta de vendas em números de marketing
A meta do plano é uma meta de negócio, não de curtidas. O trabalho deste passo é fazer a conta de trás para a frente: quantos contatos e visitas são necessários para chegar ao faturamento desejado.
Um exemplo hipotético, de uma empresa de serviços que quer faturar R$ 60 mil por mês com clientes novos:
| Etapa | Conta | Número por mês |
|---|---|---|
| Faturamento com clientes novos | Meta | R$ 60.000 |
| Clientes novos | R$ 60.000 ÷ ticket de R$ 3.000 | 20 |
| Propostas enviadas | 20 ÷ 25% de fechamento | 80 |
| Contatos recebidos | 80 ÷ 50% que viram proposta | 160 |
| Visitas ao site | 160 ÷ 2% de conversão | 8.000 |
Com a conta feita, o plano ganha um alvo concreto: 160 contatos por mês. Ela também mostra onde é mais barato melhorar. Se a taxa de fechamento subir de 25% para 30%, a mesma meta passa a precisar de 67 propostas, e não de 80, sem nenhuma visita a mais.
Use as suas taxas, não as do exemplo. Se você ainda não conhece as próprias taxas, use estimativas no primeiro mês e troque pelos números reais assim que eles aparecerem.
Passo 3: defina quem você quer atender
"Todo mundo que precisa do meu serviço" não é público. Para o plano funcionar, descreva o cliente que a empresa mais quer atrair, com base nos melhores clientes que já tem:
- Quem é: tipo de empresa ou de pessoa, porte, região, momento de vida ou do negócio.
- Que problema tem: o que faz essa pessoa procurar uma solução agora.
- Onde procura: no Google, em indicações, no Instagram, no LinkedIn, em eventos.
- O que pesa na decisão: preço, prazo, segurança, especialização, proximidade.
- O que a faz desistir: as objeções que aparecem nas conversas de venda.
A melhor fonte para esse passo é conversar com cinco a dez clientes atuais e ler as mensagens que chegam no atendimento. As palavras que os clientes usam vão direto para o site e para os anúncios.
Passo 4: decida a mensagem principal
Com o público definido, a pergunta é: por que essa pessoa deveria escolher a sua empresa, e não a concorrente? A resposta é o posicionamento, e ela precisa caber em uma frase.
Um modelo simples: "Para [público] que [precisa de algo], a [empresa] é a [categoria] que [benefício principal], porque [prova]." Essa frase não vai para o site do jeito que está. Ela orienta o título da página inicial, a abordagem dos anúncios e o discurso de vendas.
Se a empresa ainda não tem essa clareza, vale parar o plano aqui e resolver primeiro. O artigo sobre posicionamento de marca mostra como chegar na frase, passo a passo.
Passo 5: escolha dois ou três canais
O erro mais comum de um plano é querer estar em todos os canais. Com verba e equipe limitadas, a empresa fica fraca em todos. Escolha os canais pelo comportamento do público, e não pela moda:
| Canal | Quando faz sentido | Prazo para resultado |
|---|---|---|
| Google Ads | O cliente já procura o serviço pelo nome | Semanas |
| Anúncios no Instagram e no Facebook | É preciso despertar interesse em quem ainda não procura | Semanas |
| SEO e conteúdo | A decisão envolve pesquisa e o negócio pensa no longo prazo | Meses |
| Perfil da empresa no Google | O cliente busca perto de onde está | Semanas a meses |
| Indicação e parcerias | A confiança pesa muito na decisão | Meses |
| E-mail e WhatsApp para a base | Há clientes antigos que podem comprar de novo | Dias |
Uma combinação comum para empresas de serviço é um canal de demanda imediata, como o Google Ads, com um canal de longo prazo, como SEO, e um cuidado com a base de clientes. Para decidir entre as duas grandes plataformas de anúncio, leia Google Ads x Meta Ads.
Passo 6: defina o orçamento
O orçamento sai da meta, e não o contrário. Com o número de contatos do passo 2 e uma estimativa de custo por contato em cada canal, dá para chegar a um valor de partida.
Divida o orçamento em quatro partes, para não esquecer nenhuma:
- Mídia: o que vai para as plataformas de anúncio.
- Produção: textos, fotos, vídeos, peças e páginas.
- Ferramentas: site, e-mail, CRM, agendamento, medição.
- Pessoas: equipe interna, consultoria, agência ou freelancers.
Reserve também uma parte, algo entre 10% e 20%, para testes. Sem essa reserva, o plano repete sempre o que já existe e nunca descobre um canal melhor.
Para entender quanto colocar em anúncios e como esse valor muda com o tempo, veja quanto investir em anúncios.
Passo 7: monte o calendário e os indicadores
O plano anual dá a direção. O calendário dos próximos 90 dias diz o que acontece de fato. Para cada mês, liste as ações, o responsável e a data. Ações sem dono e sem data não acontecem.
Depois, escolha poucos indicadores, ligados à meta do passo 2:
| Indicador | Onde ver | Frequência |
|---|---|---|
| Contatos recebidos por canal | Formulário, WhatsApp e CRM | Semanal |
| Custo por contato | Plataformas de anúncio e financeiro | Semanal |
| Taxa de fechamento | CRM ou planilha comercial | Mensal |
| Clientes novos e faturamento | Financeiro | Mensal |
| Custo por cliente | Investimento total ÷ clientes novos | Mensal |
O último indicador é o que separa marketing que paga a conta de marketing que só gera movimento. O artigo sobre CAC, LTV e payback explica como calcular e como ler.
Uma reunião por mês. Compare o previsto com o realizado, decida o que ajustar e registre o motivo. É essa reunião que transforma o documento em plano.
Modelo de plano de marketing em uma página
Para começar, copie esta estrutura em um documento e preencha cada linha. Se alguma ficar em branco, é sinal de que o passo correspondente precisa de mais trabalho:
| Item | O que escrever |
|---|---|
| Situação atual | Faturamento, clientes por mês, principais origens e investimento atual |
| Meta | Faturamento ou clientes novos, com prazo |
| Números necessários | Clientes, propostas, contatos e visitas por mês |
| Público | Quem é, que problema tem, onde procura |
| Posicionamento | A frase do passo 4 |
| Canais | Dois ou três, com o papel de cada um |
| Orçamento | Valor mensal por canal, mais a reserva para testes |
| Próximos 90 dias | Ações por mês, com responsável e data |
| Indicadores | Os cinco da tabela do passo 7, com a meta de cada um |
Essa página resolve a maior parte das empresas pequenas e médias. Detalhes como calendário de conteúdo ou plano de mídia podem viver em documentos separados, ligados a ela.
Exemplo de plano preenchido
Para ver o modelo funcionando, um exemplo hipotético de uma clínica de fisioterapia que atende uma região da cidade:
- Situação atual: 25 pacientes novos por mês, 60% por indicação e 30% pelo Google. Nenhum investimento em anúncio.
- Meta: 40 pacientes novos por mês em seis meses, sem depender ainda mais de indicação.
- Números necessários: com 50% de agendamentos que viram tratamento, são 80 agendamentos por mês.
- Público: adultos com dor nas costas ou em recuperação de cirurgia, que moram ou trabalham perto da clínica.
- Posicionamento: fisioterapia com avaliação completa na primeira sessão e plano de tratamento por escrito.
- Canais: perfil da empresa no Google, Google Ads para buscas como "fisioterapia perto de mim" e mensagens para pacientes antigos.
- Próximos 90 dias: perfil completo no primeiro mês, campanha no segundo, rotina de avaliações e retorno no terceiro.
- Indicadores: agendamentos por canal, custo por agendamento e pacientes que concluem o tratamento.
O plano inteiro cabe em uma tela. E cada linha pode ser conferida na reunião do mês.
Erros comuns
- Começar pelos canais. E descobrir depois que o público não estava lá.
- Meta sem número. "Crescer nas redes" não diz se o plano deu certo.
- Copiar o plano do concorrente. Ele tem outro público, outra verba e outro momento.
- Esquecer a base de clientes. Vender de novo para quem já comprou costuma ser o caminho mais barato.
- Não revisar. Um plano que não muda em seis meses provavelmente não está sendo usado.
Perguntas frequentes
O planejamento estratégico olha a empresa inteira: produtos, finanças, equipe e expansão. O plano de marketing é uma parte dele, focada em como atrair e manter clientes para cumprir as metas de venda. Empresas pequenas muitas vezes começam pelo plano de marketing, porque é onde a falta de direção aparece primeiro.
O mais comum é um plano anual, com detalhe maior para os próximos 90 dias. A cada trimestre, o calendário seguinte é montado com base no que funcionou. Mudanças grandes no mercado ou na empresa pedem revisão antes do prazo.
Precisa, e talvez mais do que as grandes, porque tem menos margem para erro. A diferença está no tamanho: uma página com meta, público, canais, orçamento e indicadores já evita a maior parte do desperdício.
O dono ou o gestor precisa participar, porque o plano depende da meta de negócio. A montagem pode ser feita internamente ou com apoio de uma consultoria, que traz método e comparação com outros casos. O importante é que quem vai executar ajude a construir.
Depende da profundidade e do tamanho da empresa. Planos simples para pequenas empresas custam bem menos que um projeto completo com diagnóstico e acompanhamento. Para ter faixas de referência, veja o artigo sobre quanto custa uma consultoria de marketing.
Conclusão
Fazer um plano de marketing é sair do "vamos ver o que dá" para "sabemos o que fazer este mês e por quê". Diagnóstico, meta, público, posicionamento, canais, orçamento e calendário, nessa ordem, em poucas páginas e com uma revisão por mês.
Se quiser montar o seu com quem já conduziu esse processo em empresas de vários setores, conheça a consultoria de marketing da Martin.